O BOMBRIL

O grupo era grande e animado. Eram treze pessoas da mesma família, incluindo os agregados, distribuídos em quatro quartos, cada um com banheiro e uma pequena cozinha. Diferente das outras pousadas que costumavam frequentar, essa não oferecia almoço, mas isso não era um problema para aquela turma onde muitos gostavam de cozinhar. Não precisavam se preocupar em trazer bebidas, eram compradas no bar. O lugar era simples, mas bem em frente à praia, e para eles, isso era o mais importante.

Seriam três dias à beira-mar, para brincar nas ondas e naquele areal ensolarado, para jogar cartas e, principalmente, comer. Combinaram o que cada um iria levar: algumas refeições já prontas e ingredientes para a feijoada e o churrasco, linguiça calabresa e outros quitutes fritos na hora.

Eles preparavam as refeições quando voltavam do banho de mar e se reuniam todos na grande mesa ao ar livre, servindo seus pratos diretamente das panelas trazidas de casa. As de Aline brilhavam como espelho, graças à dedicação de sua secretária, Valdete, que já cuidava da sua casa há mais de quinze anos. Ela era muito zelosa nesse ofício e não admitia nada abaixo dos seus padrões.

 Valdete era excelente em tudo. Cozinhava bem, organizava tudo e conservava a casa de Aline em um asseio impecável. Seu maior orgulho eram as panelas, das quais tinha muito ciúme.  Ela as tratava como aquelas de sua própria casa e se esmerava em esfregá-las com Bombril, até que pudesse se ver refletida nelas.

No último dia do passeio, Aline acordou preocupada. Tinha lavado suas panelas após cada refeição, mas percebeu que elas estavam opacas, com algumas manchas escuras, muito diferentes do estado em que estavam quando as trouxe de casa. Antes de guardá-las na bagagem, dedicou-se a esfregá-las com força, usando a palha de aço, mas mesmo depois de passar um bom tempo nessa tarefa, não fez muito progresso. Pediu ajuda às outras donas de casa do grupo, e juntas se empenharam no esfrega-esfrega; gastaram um pacote inteiro de palha de aço. Embora as panelas tivessem ficado um pouco mais limpas depois desse mutirão, nem remotamente se assemelhavam àquelas que Valdete lavava.

— Se eu levar pra casa estas panelas desse jeito, Valdete vai me matar! – exclamava Aline aflita. As outras entendiam, elas conheciam a secretária de Aline muito bem. Mas não teve jeito. No domingo à tardinha, panelas embaladas, bagagem nos carros, voltaram para casa. Na segunda-feira pela manhã, assim que Valdete chegou, bateu o olho nas panelas:

— Mas que panelas imundas são essas, Dona Aline? O que aconteceu, não lavou não, foi?

— Val, nem te conto! Estou tão chateada. Você acredita que lá na pousada não tinha Bombril? Tive que trazer tudo assim, nesse estado…

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