Chicago às dez horas da manhã. Subindo uma das escadas que levam à Plaza of the Americas, rodeadas de edifícios altos, vi na outra escada à direita, uma moça jovem e esguia que também subia. Além de uma grande bolsa a tiracolo, ela carregava uma mala gigantesca. Avançava degrau por degrau e era evidente o esforço que fazia escada acima.
Eu pensei em lhe oferecer ajuda, mas hesitei. Sou uma pessoa de pequena estatura e não posso carregar muito peso. Eu já estava quase chegando ao piso superior pela escada da esquerda. Enquanto eu tentava me decidir a descer e a atravessar a rua E Hubbard para alcançá-la na outra escada, assisti a algo que me confortou.
Um homem de aproximadamente quarenta anos, de porte atlético e completamente calvo, também tinha visto a cena. Ele apressou o passo, depositou ao pé da escada as três sacolas de viagem que transportava e subiu para ajudá-la. Tomou das mãos da moça a mala pesada e levou-a ele mesmo, até o andar de cima, enquanto ela o acompanhava.
Não pude ouvir o diálogo que se seguiu entre os dois, mas imagino a gratidão que ela deve ter sentido por aquele socorro inesperado. Estou certa de que aquele gesto mudou a perspectiva daquele dia para nós. Para ela, grata por aquela manifestação de solidariedade que lhe aliviou a carga, para ele que obedeceu a um impulso fraterno e realizou algo significativo, e para mim, espectadora feliz por lembrar que há pessoas que se importam com o próximo.
Gestos de gentileza podem ser simples, mas têm o poder de iluminar o instante e proporcionar um sentimento de gratidão que dura no tempo e serve como exemplo para outras pessoas. Agindo de forma gentil, registrando e compartilhando atitudes como essa, podemos vivenciar a nossa humanidade e reforçar em nós o sentimento de sermos parte de um todo. Somos membros interdependentes do grupo de seres humanos, com capacidades e necessidades semelhantes e a cooperação é a nossa melhor estratégia de sobrevivência.
Seja gentil, o quanto puder!
