Sabem aqueles objetos que marcam uma época da nossa vida de uma forma tão intensa, que se tornam verdadeiras relíquias? Quem conserva em seu baú de guardados coisas assim, entende bem do que estou falando. Cartas e bilhetinhos, brinquedos, fotos, livros com pétalas de flores secas entre as páginas, uma coleção de figurinhas, um restinho de perfume…
Inúmeras lembranças como essas podem ter sido mantidas por muitos anos, representando marcos importantes de nossa história. Elas carregam flashes das nossas vivências, que valeram como rituais de passagem, e ao mesmo tempo em que nos mostram como mudamos, também nos dizem que ainda somos aquela pessoa que fomos um dia. Ao encontrar uma dessas relíquias, somos transportados ao passado, lembramos de quem éramos e por alguns instantes, voltamos a viver aquele tempo de antes. Por serem coisas tão significativas, possuem um valor inestimável para aquele que o possui, que excede em muito o preço do objeto em si. Seu valor reside, portanto, no que simbolizou para nós, somente para nós.
Revisitando minha caixinha de tesouros, encontrei o meu radinho de pilhas modelo Parceiro, da marca Philips, que ganhei de meu pai quando eu tinha quatorze anos. Foi meu companheiro fiel por vários anos em minha adolescência. Todas as noites, ao me deitar, eu o acomodava junto ao meu travesseiro, sintonizava a Rádio Mundial e embalava meu sono com as músicas da programação noturna. Naquela época eu já tinha sido flechada pelo Cupido e tecia meus sonhos de garota romântica com as letras das canções. A imaginação supria a realização dos anseios ainda não concretizados e eu dormia pacificada.
Os anos passam e surgem em nós interesses diferentes, outros desejos nos mobilizam e passamos para as experiências seguintes em nossa existência. Os ciclos se sucedem. Temos novos pensamentos, novos sentimentos, o nosso corpo se modifica e mudam as nossas atitudes diante do mundo. Aqueles símbolos e o que eles representam, são postos de lado e outros chegam para assinalar nossa caminhada em direção à maturidade.
Objetos e significados, todos tecem a nossa jornada. Ao relembrar os momentos felizes, vivenciamos a ternura e a compaixão. Quando os momentos tristes emergem, é hora de aprender e praticar a arte do perdão. São sentimentos poderosos que nos permitem seguir nossa vida com gratidão pela oportunidade de evoluir e abrem o nosso coração para acolher a paz.

