SOB PRESSÃO

No espaço de uma vida, em várias ocasiões, precisamos tomar decisões difíceis e nem sempre temos tempo suficiente para pensar. Muitas vezes, são questões da nossa vida cotidiana que envolvem relacionamentos, saúde, profissão, mas podem ocorrer situações completamente imprevistas, ou mesmo emergenciais, onde somos forçados a escolher uma atitude em questão de segundos. 

Aconteceu comigo. Eu estava aguardando um táxi no estacionamento que havia em frente ao meu local de trabalho, ao lado de um terreno baldio abandonado há anos. Havia terminado meu turno e estava sem carro para ir para casa. Apoiei meu corpo em um carro estacionado e os meus pés sobre a calçada, de modo que se formou um espaço abaixo das minhas pernas, onde o mato se acumulava. Fiquei olhando o trânsito, distraída, enquanto aguardava meu transporte.

De súbito, um movimento ligeiro no solo atraiu minha atenção. Quando olhei, fiquei paralisada de medo. Deslocando-se no chão, disfarçada pelo capim alto, vinha rastejando na minha direção, uma cobra pequena e escura, prestes a passar a centímetros abaixo de minhas pernas. Meu instinto de defesa despertou de imediato. Eu precisava pensar rapidamente e decidir o que fazer.

Eu poderia continuar imóvel na esperança de que ela passasse por mim sem me fazer mal, ou saltar rapidamente para o lado e ir para bem longe dela. As duas opções me pareciam arriscadas. Se eu ficasse parada, ela teria em mim uma presa fácil para inocular seu veneno. Se eu não pulasse com rapidez suficiente para me colocar fora do alcance dela, meu movimento poderia assustá-la e ela me picaria para se defender.

Nunca fui boa para tomar decisões sob pressão, mas dessa vez eu precisava. E escolhi pular. O pavor me impulsionou e dei um grande salto, ao mesmo tempo em que gritava.  Na sequência, o policial militar que fazia a segurança da repartição e tinha visto minha reação – meu pulo e meu grito – através da porta de vidro, surgiu, prontamente alerta e já de arma em punho, seu olhar experiente procurando o bandido que me ameaçava.

Eu só consegui apontar a cobra, que seguia deslizando em seu caminho rumo ao matagal ao lado. Ele a viu a tempo de identificar sua espécie. Era um filhote de Surucucu, serpente que é conhecida como Pico de Jaca. Aquele animal, cuja presença é incomum nessa região, é extremamente venenoso, e sua peçonha pode matar um ser humano em poucas horas.

Agradeci ao policial a presteza para me defender e ele me disse que eu havia corrido um grande risco. Depois que parei de tremer, comecei a pensar na vulnerabilidade de um ser humano, mesmo vivendo em ambiente urbano, onde as ameaças costumam ser de outro tipo. Acidentes podem acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Em nossa movimentação pelo mundo, precisamos ser proativos na defesa de nossa vida e de nossa saúde, guiando nossas ações pelo bom senso e pela prudência. Essa atitude pode evitar problemas e preservar nossa qualidade de vida. Cuide-se!

Outros textos

FIQUE AQUI AGORA

Mindfulness. Essa palavra do Inglês, tão comentada em nossos dias, se traduz em nossa língua por “atenção plena”. Significa “estar

Ler Mais »

AMAR NÃO BASTA

Antes que alguém estranhe esse título, explico-me: o Amor é necessário, mas não é suficiente. Aliás, o mundo está cheio

Ler Mais »

Todos os direitos reservados | Rossana Lindote

5