“Pouco é tanto quanto muito, se é suficiente”.
Esta ideia, expressa de várias maneiras por filósofos antigos e modernos, traduz um pensamento coerente com a perspectiva estóica. Indica que o valor de algo não está na quantidade. Ele reside na capacidade de satisfazer a nossa necessidade do momento. Se sentimos fome, por exemplo, o volume de alimento suficiente, independentemente da quantidade, é aquele que nos sacia. O suficiente é aquilo que nos basta, que supre o que precisamos, e isso é verdadeiro em várias esferas de nossa vida.
Por que então nos sentimos tão insatisfeitos? Por que nos tornamos inquietos e ansiosos pela falta de tantas coisas das quais julgamos precisar? Com a globalização, o advento da Internet, o uso em larga escala de redes sociais, ficamos a par do que ocorre no mundo inteiro, na vida de pessoas com histórias diferentes da nossa e passamos a conhecer realidades distintas. Isso é uma verdadeira fábrica de falsas necessidades. Por ver que os outros possuem o que não temos, passamos a “necessitar” daquilo. Então, o que poderia ser um simples desejo, gera em nós a angústia pela “falta”. Para onde vamos com tanto? Para onde levaremos o que nos sobra?
A verdade é que essa “falta” é filha da incerteza inerente à vida humana e da constatação de que temos pouco controle sobre as nossas circunstâncias. Ela pode ser frequentemente suprida com menos do que imaginamos, desde que nossas reais necessidades sejam atendidas. Muitas vezes, a simplicidade, a gratidão e o contentamento pelo que temos nos conduz à satisfação e ao equilíbrio, muito mais do que a acumulação de bens e do que a sensação ilusória de poder que obtemos com certas aquisições. Ao nosso redor, para onde quer que olhemos, existem seres humanos, cujas necessidades básicas não estão sendo satisfeitas. Diariamente, são submetidos ao sofrimento da carência em múltiplos sentidos. A definição de “pouco” para eles, é completamente diferente daquela que percebemos do nosso ponto de vista. Se em alguma medida, pudermos mudar parte dessa realidade, seremos verdadeiros agentes de transformação. Quando não conseguirmos exercitar esse poder, podemos observar o mundo e revisar nossas prioridades. Isso pode nos conduzir a uma postura mais moderada e consciente acerca do valor do que possuímos.
