Tornou-se algo comum, falarmos e ouvirmos que atualmente não podemos confiar em nada e em ninguém. Passamos a perceber a “realidade” com certa cautela. Duvidamos do que nos apresentam, porque nestes tempos em que vivemos, com a ajuda da tecnologia, é possível criar ilusões de realidade, utilizar a inteligência artificial, para o bem ou para o mal, produzindo cenas, áudios e vídeos falsos. Nós já não sabemos se podemos confiar no que parece real, e atribuir um caráter de verdade àquilo que vemos e ouvimos. Sentimos que estamos hoje, mais do que nunca, suscetíveis a fraudes e enganos e isso provoca insegurança em nossos movimentos pelo mundo.
Contudo, o fator confiança é elemento fundamental e indispensável à vida humana. Tudo que fazemos envolve uma carga significativa de confiança. Nós nos recolhemos para dormir à noite, contando como certo o amanhecer do dia seguinte. Em cada passo que damos, literalmente, esperamos que haja um chão firme à frente para apoiarmos nossos pés. Nós nos alimentamos na esperança de que sejamos saciados sem prejuízo ao nosso corpo. Consultamos profissionais de saúde, compramos e ingerimos remédios, nos submetemos a tratamentos, crendo que seremos curados. Marcamos encontros fixando horário e local, antecipando o comparecimento do Outro no momento combinado. Agendamos compromissos para os próximos dias, pressupondo que será possível cumpri-los. Fazemos planos para o futuro imediato ou a médio e a longo prazo, acreditando que os amanhãs virão.
E essa questão assume importância considerável em nossas interações sociais. Nós nos envolvemos em relacionamentos confiando em que nossos investimentos emocionais serão correspondidos e recompensados. Todos queremos ser felizes, e sem confiança, isso é inviável. Quando confiamos em uma pessoa com a qual temos uma relação próxima, tendo consciência de que somos todos imperfeitos, estamos apostando, não em sua infalibilidade, mas em sua intenção de ser leal, de ser fiel. Não é uma confiança absoluta, mas relativa, um grau de confiança suficiente que nos permite desfrutar do relacionamento com alguma tranquilidade.
As pessoas são diferentes. Se alguém nos decepcionou, isso não significa que todos nos decepcionarão. Se formos enganados por duas pessoas entre dez nas quais confiamos, ainda estaremos sendo beneficiados. Não vale a pena nos tornarmos pessoas amarguradas, porque fomos vítimas de deslealdade, quando estávamos esperando perfeição de um ser humano.
Confie! A Confiança é irmã da Esperança. Mas seja realista, gerencie suas expectativas!

