Era um Papai de primeira viagem. Mas um Papai de última geração, daqueles que participam realmente da vida familiar, assumindo, ao lado da Mamãe de primeira viagem, várias tarefas cotidianas, especialmente as mais desafiadoras, que se referem aos cuidados com um pimpolho.
O pimpolho em questão havia chegado a esse mundo poucos dias antes, e como todo bebê que se preza, acordava na madrugada, requerendo cuidados, e era atendido pelos pais no sistema de revezamento. Naquela noite, ele já os havia despertado muitas vezes, com o berreiro peculiar, para mamar, trocar a fralda ou simplesmente para marcar presença: “estou na área”.
Na quinquagésima segunda vez, era o turno do Papai. Ele foi ao quarto do filhote, sem acender a luz para não prejudicar o sono do pequeno e tirou sua roupinha molhada. Ele estava choroso e incomodado e Papai decidiu fazer-lhe uma massagem relaxante para deixá-lo confortável. Na prateleira acima do bercinho, pegou um hidratante no cestinho todo decorado em azul e branco, pela Mamãe, e com cuidado, começou a passá-lo na pele delicada do bebê.
Na penumbra do quarto, iluminado apenas pela luz suave do abajur, Papai deslizava as mãos na barriguinha, nos braços e nos ombros de seu filhinho, que foi aos poucos se acalmando e parou de chorar.
Papai percebeu que depois de vários minutos, a pele da criança continuava úmida. Que hidratante estranho, pensou. Acendeu a luz do corredor e voltou ao berço. O menininho estava escorregadio como um quiabo. Papai tentou secá-lo com lencinhos umedecidos, depois com algodão embebido em água morna, mas foi pior. Agora havia espuma.
Não teve jeito. Por mais que Papai tentasse retirar o produto, mais suas mãos deslizavam na pele da criança. Foi preciso providenciar, em plena madrugada, um banho completo, com muitos enxágues, para retirar todo o sabonete líquido da pele do pimpolho, antes de vesti-lo e acomodá-lo novamente para dormir.
