O Congresso de Psicologia era em Maceió. Silvana e eu éramos recém-formadas e nos entusiasmamos com a ideia de participar do evento. Nós nos inscrevemos e viajamos. O hotel, na beira da praia, era muito confortável. Possuía um salão de convenções e o congresso seria realizado lá mesmo. Ao final do dia, após as palestras e cursos, bastaria subirmos para o nosso quarto, para descansar. Era um arranjo bem prático e tudo correu bem.
Terminado o evento, planejamos relaxar na última noite na cidade e nos distrair um pouco antes de voltar para casa, no dia seguinte. Fomos passear num shopping. Caminhamos, conversamos, admiramos as lojas e após algum tempo, paramos para tomar um cappuccino.
‘ — Deixe que eu pago – Silvana se adiantou.
O cappuccino era delicioso, o melhor que já havíamos provado.
— Estava muito bom, Sil, vamos tomar outro – eu propus — mas esse quem paga sou eu. Levantei-me e fui comprar mais dois.
Satisfeitas, caminhamos mais um pouco e paramos na praça de alimentação para jantar. Pedimos nossos pratos e decidimos compartilhar um refrigerante.
— Temos PEPSI – disse o garçom.
— Pode trazer, por favor – respondeu Silvana.
Quando terminamos a refeição, rumamos para o hotel. Estávamos exaustas depois de quatro dias de congresso. Precisávamos dormir cedo e repor nossas energias. No quarto que compartilhávamos, apagamos as luzes, demos boa noite uma à outra e nos acomodamos em nossas camas, aproximadamente às 22 horas.
Fechei meus olhos. Vieram os pensamentos, como de costume, com a excitação dos últimos dias, trazendo lembranças e muitos planos. Espantei-os algumas vezes, mas eles voltavam. Usei uma técnica de respiração para relaxar. Nada. O sono havia fugido. Mantive os olhos fechados e continuei quieta, imóvel, evitando fazer barulho para não perturbar o sono de minha companheira na cama ao lado. Do lado da cama de Silvana, não vinha qualquer som. As horas foram passando, eu consultava o relógio e via a noite se escoando, sem conseguir descansar.
Lembro-me de ter dado um breve cochilo após as três horas da madrugada e de ter despertado pouco tempo depois, quando o dia ainda nem tinha amanhecido. Para não perturbar o descanso de minha colega, esperei o dia chegar por completo e me levantei cuidadosamente, ainda em silêncio.
— Psiu! – Silvana me chamou, quando me viu de pé.
Ela se sentou na cama, e eu contei a ela o que me ocorrera. Silvana começou a rir. Riu com gosto durante vários minutos. Vendo o meu olhar de interrogação, ela me explicou que passara a noite inteira em claro e que me vendo imóvel na outra cama, achou que eu estivesse dormindo. Havia se esforçado para ficar quieta no escuro, a noite inteira, para não me acordar. Agora ríamos juntas.
Definitivamente, a mistura de PEPSI e cappuccino, não tinha dado certo para nós!
