MEUS LIVROS E EU

Sempre tive paixão por livros, além de ter paixão por leitura!


“Ué, mas não é a mesma coisa?” vocês podem perguntar. Não, não é. A minha relação com os livros não inclui somente o prazer de ler o seu conteúdo, compreender a mensagem do autor, “viajar” na narrativa para outros mundos e enxergar a vida sob outras perspectivas . Envolve também um afeto pelo livro em si, o objeto livro – substantivo masculino que designa um “conjunto de folhas de papel, impressas ou não, reunidas em cadernos cujos dorsos são unidos …formando um volume”, conforme o dicionário, que sendo ele mesmo um livro, assim o define.

Desde que aprendi a ler na infância, tive como companheira inseparável nas sessões diárias de leitura, a minha mãe, fá ardorosa das letrinhas. Ela interrompia a leitura do próprio livro centenas de vezes, para satisfazer com paciência a minha curiosidade, cada vez que eu perguntava o significado das palavras desconhecidas no livro infantil em minhas mãos.

À medida que eu crescia, descobri que o simples ato de escolher um livro, mesmo que para lê-lo em outro momento, já me proporcionava uma felicidade antecipada. Tê-lo em minhas mãos, inundava o meu sistema sensorial com estímulos prazerosos. Sempre apreciei o cheiro do livro novo, e do mesmo modo o cheiro do livro muito antigo. Nas enormes estantes do gabinete de meu avô materno, também um leitor inveterado, alguns exemplares tinham as folhas amareladas pelo tempo e buraquinhos feitos pelas traças. E eu amava tudo aquilo. A textura da capa, flexível ou rígida, o peso do livro, a espessura do volume, com maior ou menor quantidade de páginas, tudo isso antecipava para mim a delícia de me entregar, em algum cantinho sossegado, a horas e horas de solidão a dois: o livro e eu.

Hoje, tenho minhas próprias estantes, cheias de volumes que acompanharam cada fase da minha vida e cujas páginas me trouxeram alegria, lições e amadurecimento. Acrescentei muitos outros à minha coleção, deixados recentemente por minha mãe, que em seus noventa e dois anos de existência, teve a oportunidade de comprar e ganhar de presente uma quantidade enorme deles.

E quando olho para as minhas prateleiras e os vejo enfileirados, passeio com os dedos pelos dorsos, relembrando as histórias e ensinamentos ali contidos e as emoções que despertaram em mim. Sinto gratidão pelos autores que se dedicaram à produção de cada volume. E sonho que os livros que eu mesma escreverei estarão um dia perfilados em outras estantes e serão contemplados com o mesmo carinho que sinto por esses que guardo comigo.

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