PONHA A CARROÇA NA FRENTE

O ditado popular diz o contrário, referindo-se a não atropelar a ordem das coisas. A expressão “Não ponha a carroça na frente dos bois” nos adverte para fazermos as coisas na ordem correta, executando uma série de tarefas práticas, de acordo com uma sequência lógica, já que normalmente são os bois que puxam a carroça. Contudo, se examinarmos a questão do ponto de vista de nossas emoções e da motivação para agirmos, a coisa muda.

A capacidade de sentir emoções é característica importante presente em todos os seres humanos. As emoções consistem em reações instintivas e imediatas diante de algum estímulo e são acompanhadas de reações fisiológicas Mas a emoção pode ser uma má conselheira, se não estiver assessorada pela razão, outro atributo essencial da nossa humanidade. Quando essas emoções são disfuncionais, frutos de pensamentos distorcidos que não condizem com uma avaliação precisa da realidade, os comportamentos serão também disfuncionais e acarretarão consequências que não serão favoráveis ao nosso melhor interesse. Emoções como a raiva e o medo podem interferir em nossa capacidade de avaliar corretamente as situações e nos conduzir a decisões impensadas a respeito de fazer ou de evitar fazer alguma coisa.

Usando uma alegoria onde “os bois” representam as emoções e “a carroça” simboliza os comportamentos, colocar a carroça na frente dos bois parece ser a melhor coisa a ser feita. Nesta metáfora, podemos imaginar que se a carroça for movimentada para frente, os animais, por estarem atrelados a ela, acabarão por acompanhá-la. Assim é que, quando adotamos o comportamento de enfrentar um medo, por exemplo, de usar um elevador, a despeito de estarmos temerosos, se fizermos isso seguidamente, o medo acaba por se atenuar até desaparecer. Do mesmo modo, quando sentimos raiva, se usarmos o autocontrole para falar e agir como se estivéssemos calmos, a emoção da ira, aos poucos, se esvai. 

Realizar o comportamento que a nossa razão recomenda, ainda que as nossas emoções estejam nos sugerindo o contrário, significa “agirmos como se…” (estivéssemos serenos), ou mesmo deixar de agir naquele momento, controlando o nosso impulso. Esse comportamento guiado pela razão acaba por modular as nossas emoções mais intensas, restabelecendo o nosso equilíbrio emocional.

A emoção é transformada pelo comportamento que se repete!

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